sábado, 10 de setembro de 2011

"Minha nossa, é só ficar longe, que logo eu penso em você


Parecia que me via com teus olhos de apetite
Parecia que sorria quando a festa demorava
Merecia uma prece pra ninguém nunca esquecer
Então sentei-me em tua frente pra logo nos perceber

Dali pra frente tudo é doce
É doce até não enjoar

Minha nossa, é só ficar longe, que logo eu penso em você
Minha nossa, é só ficar longe, que logo eu penso em você

Parecia cantoria o teu abraço de convite
Merecia uma iguaria de encantar o paladar
Anelava no recado uma mensagem elegante
Quero moça de quermese que quer missa pra casar

Dali pra frente tudo é doce
É doce até não enjoar

Minha nossa, é só ficar longe, que logo eu penso em você
Minha nossa, é só ficar longe, que logo eu penso em você
Minha nossa, é só ficar longe, que logo eu penso em você
Minha nossa, é só ficar longe, que logo eu penso em você


Música "Quermesse" (O Teatro Mágico)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Quarto Capítulo do Livro "Ator e Método", de Eugênio Kusnet

"Como escolher nossas visões internas?" Como tornar mais útil, mais produtiva a visualização das determinadas "circunstâncias proposta"?

Elementos do método:

ATENÇÃO CÊNICA

A única possibilidade do ator fazer com que sua atenção funcione, é interessar-se pelo objetivos (necessidades) do personagem como se fosse dele, selecionando detalhes da visualização através da atenção cênica. Estes detalhes podem exercitar sua imaginação despertando seu desejo pela ação. Quando a situação cênica exigir sensações mais fortes, o ator deve concentrar sua visualização nos detalhes mínimos e específicos, mais condensados. Já quando exige uma ação mais calma, a visualização deve ter seu foco ampliado, provocando assim um efeito emocional mais ameno.
Sendo esta mudança constante no foco da visualização chamada Círculos de Atenção.

CÍRCULOS DE ATENÇÃO

A ideia desse elemento foi inspirada na nossa visão física, onde podemos ter uma atenção ampla de quase 180º ou direcionada a um único ponto. Esse método auxilia o ator a olhar para a platéia e manter a circunstância proposta em sua mente ao invés de ver apenas um monte de gente sentada, e muitas vezes salva o ator em cena aberta
A atenção cênica com seus círculos de atenção levam o ator ao ‘Contato e Comunicação’ com o ambiente em que se encontra, ou seja, os elementos do espetáculo.

CONTATO E COMUNICAÇÃO

É mais um termo do método. Na vida real, nunca deixamos de estar em contato com o ambiente. Estamos sempre nos relacionando através dos nossos cinco sentidos com tudo o que está ao nosso redor.
Já no teatro, o ambiente é criado pela vontade do criador do espetáculo, portanto, não é natural que o ator se encontre imerso nesse ambiente como na vida real. É ele quem deve criá-lo para que se possa comunicar com sucesso, porém, muitas vezes esse contato é interrompido, como por exemplo quando o ator resolve descansar em cena porque não está fazendo algum diálogo, quando não presta atenção na fala dos outros por ter decorado a sua, quando está preocupado com outras coisas de sua vida particular ou quando, por própria vaidade, procura contato com a platéia para mostrar suas qualidades físicas.
O contato com a platéia é de extrema importância, mas nunca deve ser feito por vaidade. Este contato deve ser realizado pelo ator, e não pelo personagem, que deve estar entretido no ambiente e outros personagens da peça.

DUALIDADE DO ATOR

Termo criado por Stanislavski, representa a coexistência do ator e do personagem. A encarnação do papel não significa uma substituição, pois assim o mundo objetivo deixaria de existir para o ator, que apenas assume o personagem adquirindo a ‘fé cênica’, porém, sem perder a capacidade de observar sua própria obra artística, que é o personagem.

Hélio Silva

domingo, 10 de julho de 2011

Fez-se Mar...

Fez-se Mar

Los Hermanos

Fez-se mar,

Senhora o meu penar

Demora não, demora não

Vai ver, o acaso entregou

Alguém pra lhe dizer

O que qualquer dirá

Parece que o amor chegou aí

Parece que o amor chegou aí

Eu não estava lá, mas eu vi

Eu não estava lá, mas eu vi

Clareira no tempo

Cadeia das horas

Eu meço no vento

O passo de agora

E o próximo instante, eu sei, é quase lá

Peço não saber até você voltar

(Marcelo Camelo)

http://www.youtube.com/watch?v=198XE2kIuVo

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Diário, registro cotidiano

Tão importante quanto a chegada, é o caminho percorrido até ela.

Tão importante quanto a conclusão de nossos projetos, é o processo pelo qual passamos durante sua realização.

Atingir objetivos propostos, o sentimento de missão cumprida, concluir, finalizar algo, proporcionam um prazer imensurável. No entanto é no caminho, ou seja, durante o processo, que o aprendizado se dá de maneira efetiva, na superação diária de obstáculos, no enfrentamento das dificuldades, nos conflitos com o outro, ás vezes avançando em outras retrocedendo, mas sempre em movimento, de maneira plena e dinâmica.

Muitas vezes estamos tão imersos em determinado processo que não nos damos conta da sua importância, das pequenas belezas e da sua riqueza cotidiana, pois são efêmeras, momentâneas, acontecem sem avisar, sem esperar serem anunciadas, assim sendo, a maneira mais eficiente de tentar capturá-las é por meio de um registro cotidiano e disciplinado, certamente não será possível registrar tudo, em sua plenitude, mas confiar única e exclusivamente na memória, não é muito seguro. Um bom exemplo disso é a riqueza da história escrita, sua força, permanência e poder de disseminação, contrapondo com a histrória oral, que apesar de sua importância cultural, muito dela se perdeu.

Ressaltamos aqui a eficiência dos diários, como boa fonte de registro, por ser cotidiano e disciplinado, não hierarquiza os fatos, ou acontecimentos de acordo com um julgamento de valor, não é criada nenhuma expectativa em torno disso ou daquilo, pois cada dia é uma experiência única, em um dia comum, ou até cinza e frio, sem nenhum brilho especial, pode acontecer algo surpreendente, capaz de mudar toda a dinâmica em curso até aquele dado momento. Se não houvesse o diário este acontecimento poderia ser perdido, ou registrado de maneira diferenciada, com um juízo de valor pré estabelecido.

Somos gratos a todas aquelas pessoas que, generosamente, dividiram suas histórias pessoais conosco, humanizando e tornando-as um pouco nossas também, por meio de seus diários, comungamos com elas o desejo de dividir nossas alegrias e tristeza, vitórias e derrotas, e acima de tudo o caminho percorrido para alcançá-las, o trabalho cotidiano de cada um, com toda sua riqueza, beleza e potência, através do nosso DIÁRIO, fazendo da MINHA, da SUA a NOSSA história.

Eliane Neres

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Terceiro Capítulo do Livro "Ator e Método", de Eugênio Kusnet

"A capacidade de usar a visualização é primordial na arte de teatro"

No palco devemos agir em nome do personagem, mas para que isso aconteça, é necessário saber quem é o personagem, quais são suas características. Stanislavski denomina de "CIRCUNSTÂNCIAS PROPOSTAS" que significa a realidade da vida do personagem, a "verdade cênica".
Uma simples omissão das "CIRCUNSTÂNCIAS PROPOSTAS" pode mudar todo o sentido de uma cena, ou até mesmo o espetáculo inteiro, no livro Kusnet conta uma história que aconteceu com Stanislavski, em um dos papéis que ele fazia, ele era o administrador de uma fazenda, e assim se vestiu, como um homem do campo, quando seu diretor viu, ficou indignado, pois Stanislavski tirou suas próprias conclusões do personagem, então seu diretor lhe mostrou outro trecho no texto, em que dizia para endireitar a gravata fina, e percebeu que de camponês o personagem não tinha nada. Isso aconteceu pois ele deixou de completar as "CIRCUNSTÂNCIAS PROPOSTAS" com a sua imaginação.
Stanislavski oferece um elemento do método que ele chama de o mágico "SE FOSSE". Mas porquê Stanislavski chama de mágico? Bem, "SE FOSSE" é mágico, pois de alguma forma desperta a VONTADE DE AGIR, assim as "Circunstâncias Propostas" acabam sendo completadas com a nossa imaginação, presumindo assim, a aceitação simultânea da realidade - "eu o ator que sou", e do imaginário - "o personagem que, o ator, poderia ser".
Imaginar significa ver de maneira mais palpável o que nos foi dado pelas "CIRCUNSTÂNCIAS PROPOSTAS". Se eu te perguntar, o que você faria se fosse a pessoa mais milionária do mundo? Certamente você vai imaginar o que faria, e assim, vai estar fazendo uma "visão interna", que Stanislavski chama de VISUALIZAÇÃO. Então ao fazer as "circunstâncias propostas" e de usar usar o mágico "se fosse", você estará fazendo uma "visualização".
Ruth Lacerda

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Brincando de Profeta

Imagem: Jean Saudek

Ei, e se eu te disser que sei o que se passou com você? Tudo bem, não se preocupe, eu não preciso tocar em sua mão, muito menos te questionar: seu rosto é o que irá te denunciar, inteiramente. Quer que eu fale da sua vida? Ou do seu dia? Escolho falar do seu domingo.
Você acorda cedo. Queria dormir mais, mas despede-se da tão deliciosa cama. Às vezes não toma café; simplesmente sai de casa rapidamente com as suas roupas mais flexíveis. As ruas estão desertas ou mais silenciosas do que o habitual. Sossego?
Chegando ao seu destino, você vê o portão fechado. Bate um desânimo, porque não há ninguém a te receber. Então você observa os carros e os cães que passam. Minutos depois chegam os outros, e então acontece o que mais te faz sorrir: a troca de milhares de beijos e abraços.
Todos se sentam e conversam, você ri e os observa. Em instantes, a brincadeira responsável começará. Exercícios! Voluntários! Textos! Cadeiras! Piadas! Amigos!
De forma anormal, o tempo voa apressadamente, como uma andorinha sem vergonha que esqueceu-se do inverno. O relógio toma forma de carrasco, não aquele que mata e sim o que desperta para o viver meio... vazio, talvez desgastante.
E então você, antes de ir embora, beija seus amigos e os abraça novamente, desejando que todos tenham uma boa semana. Legal, você até pode contestar - e com razão - que não há nada profético nisso. Pode até mesmo complementar: "Ora, tudo é óbvio demais! Diga-me então não o que fiz, mas o que farei quando chegar em casa".
Sim, eu diria, se pudesse estar com você nesse momento.

Gabrielle do Vale

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Performances

Se meu verso molhar
suas mãos de mar
Elas poderão
Bordas poesias
Tecer fantasias
Tocar nas conchas,
nas flores, nos cristais
Pois a ternura
Escorrerá dos seus dedos
Da sua emoção
Da sua paz...

Maria Helena Fogo

Registrado no diário da Cia de Investigação Teatral Minha, Nossa! em 19 de setembro de 2010

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Segundo Capítulo do Livro "Ator e Método", de Eugênio Kusnet

A ação é o fator mais importante da nossa arte. É afirmando isso que Kusnet inicia esse segundo capítulo. O termo ator se traduz em *agente do ato*, ou seja, aquele que age, aquele que faz a ação. Em uma cena, por menor que seja, é através da ação que o ator traça a relação de comunicação com o espectador.
Toda a ação sempre obedece a uma lógica, mesmo quando achamos que não tenha uma lógica, por exemplo, nos atos de um louco. Segundo Kusnet, para nós a ação de um louco não tem lógica alguma, mas se os atos forem observados do ponto de vista do próprio louco têm. E para o espectador, o que conta é o ponto de vista da personagem e não a nossa, logo, deve-se seguir a lógica do louco para interpretá-lo.
Assim como a ação segue uma lógica, ela deve ter também um objetivo, sem determiná-lo não há como estabelecer uma lógica para as ações da personagem. Segundo Kusnet, “O* uso da lógica deve começar nos primeiros estudos gerais da situação e dos objetivos e continuar necessária e obrigatoriamente até o mínimo detalhe. Basta errar na lógica de um pequeno ponto para arruinar a cena inteira.*”. Kusnet também diz nesse capitulo que a ação é sempre contínua e ininterrupta. O maior erro do ator é se desligar da personagem sem necessidade.
A ação sempre tem, simultaneamente, dois aspectos: ação interior (mental) e ação exterior (física). Quando a ação interior age temos um resultado mais visceral, porém, às vezes temos de acrescentar alguma ação vinda de fora para obter um resultado mais convincente ao público.
Veronica Alencar

domingo, 22 de maio de 2011

O mar dentro de nós


Sem título
Julita Sarano

O mar ressoa em meu corpo.
Mar distante.
Mar distante.
Do vai e vem das mágoas,
do sabor das marés.
Rumor festivo e soturno.
Riscado na face da lua
o mar ressoa,
relembra antigos momentos,
sonhos, cantos.
Marca minha faze.
O mar ressoa.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Equilíbrio


Equilíbrio

Substantivo masculino;
Estado de um corpo que se mantem, ainda que solicitado ou impelido por forças opostas.
Igualdade de forças de dois corpos que obram um contra o outro
Igualdade
Boa inteligência, harmonia

(Dicionário Priberen)

A força do equilíbrio e da justiça.
O equilíbrio entre o bem e o mal, a luz e as trevas que existe dentro de cada pessoa.

(numerologia - http://carmica.blogspot.com/)

[Registrado por Hélio Silva no diário da Cia de Investigação Teatral Minha, Nossa em 07 de novembro de 2010]



Em todos os encontros, buscamos nos encontrar com o outro, no outro e em nós mesmo, buscamos um equilíbrio que não é medido, ele acontece, simples assim, em cada um e ao seu tempo... basta querer e se entregar.
A porta está aberta
O convite já foi feito
Entre... a Cia é sua, é minha e é nossa!